terça-feira, 8 de maio de 2012

Na Raiva dizemos a verdade?





Estava pensando sobre isso... Sempre me disseram que na raiva é que sabemos realmente o que o outro pensa da gente ou o que pensamos do outro. Será isso verdade?

Quando estamos aborrecidos com alguém, uma coisa é certa, desejamos que o outro fique triste, queremos magoar, porque este é o impulso da raiva. Então, se conheço o outro, sei o que pode deixá-lo ofendido e escolho dizer exatamente isso, para que ele fique muito desconfortável, bem próximo ao que estou sentindo. Nem sempre o que digo é a verdade absoluta dos fatos, mas serve para ferir e eu uso.

Quando a raiva passa, minha necessidade de machucar o outro passa, então eu me arrependo. Mas aí o estrago está feito, essas sujeiras jogadas em cima de alguém levam muito tempo para serem limpas.

Não acredito na honestidade da raiva. Acho que seríamos mais sinceros se declarássemos: Estou com muita raiva de você agora, por causa disso e daquilo. Seu comportamento me aborreceu e gostaria que não se repetisse. Isso é honestidade. Falar sobre seus próprios sentimentos e não descarregar uma saraivada de críticas distorcidas a respeito do outro.

Podemos repensar o conceito de honestidade. E usá-la a favor de construções afetivas mais eficientes.

E lidar com a raiva de maneira mais inteligente, caminhar, respirar profundamente, distrair a mente até a raiva passar, porque raiva passa e depois dela ir pensamos melhor e agimos mais acertadamente, sem precisar mentir. A calma não é mentirosa, só não tem desejos de magoar ninguém.

Namasté!

sábado, 28 de abril de 2012

O Primeiro Ferimento





Tenho a teoria da dor amorosa inaugural. É quando no início de nossa vida amorosa nos sentimos traídos ou mal cuidados. Geralmente nos apaixonamos por volta dos 14 /15 anos e neste estágio não somos muito cuidadosos com os sentimentos dos outros, nem conseguimos segurar muito nossos impulsos. O resultado é que terminamos magoando e sendo magoados numa idade que  tudo é muito intenso e eternizado.

Carregamos essa ferida mal cicatrizada por décadas e vamos para outras relações amorosas com muito medo e desconfiados. Temos a nítida impressão que vai acontecer tudo de novo. Que vamos sentir dor. Então nos protegemos, fugindo de namoros ou mesmo nos envolvendo, porém com várias defesas, que nos distanciam de nossos sentimentos Às vezes ficamos agressivos e desleixados com o amor romântico. E vamos deixando rastros de desencontros vida a fora.

Temos dificuldade em acreditar no melhor porque as experiências, nossas e a dos outros, nos dizem que isso não dá certo, que todos ficam insatisfeitos e que em algum momento vamos sofrer. Existem dois mecanismos no nosso organismo, um que é pessimista e aposta no pior e outro esperançoso que imagina o melhor. O segundo nos empurra para o próximo relacionamento e o primeiro avisa-nos que é uma roubada; ficamos no meio de duas forças exageradas e ilusórias e terminamos cumprindo a profecia do amor doloroso.

Para acabar com isso é preciso assumir responsabilidade na construção de uma relação, saber escolher um parceiro acrescentando a inteligência e não só a paixão e se esforçar, por um tempo, para acertar as diferenças entre o par. Isso leva tempo, dedicação, maturidade, persistência (e não tem nenhuma garantia) coisa que não nos dizem que precisamos para amar.

Fugir só funciona no começo, depois leva à decepção. Descobrir isso é a função da busca por si mesmo, o autoconhecimento. Só quem teve coragem de olhar realmente para si pode quebrar o círculo vicioso do amor romântico. O caminho desse tipo de amor é trilhado por bravos e só eles conseguem o prêmio do final do caminho.


Namasté!

terça-feira, 6 de março de 2012

Roma e a Violência





Tenho ouvido muito falar sobre a violência que estaria a níveis altíssimos nos últimos tempos... Que o mundo está perdido, que é o fim do mundo. Que as pessoas estão perdendo a sensibilidade, etc, etc.

Então assisti um seriado chamado Roma, onde crianças são mortas a troco de banana, homens negociam sua vida como se estivesses fazendo compras. E uma forma de resolver problemas, muito comum, era eliminando definitivamente quem os causava. Além de intrigas, roubo, estupros, tortura e por aí vai.

Penso que nossa violência não é um mal da atualidade, é apenas uma das forma de nos comportarmos. Infelizmente é dolorosa e trágica, mas não é novidade. Talvez estejamos achando novo, porque passamos quase um século e meio sem apresentarmos tanto este comportamento. As regras morais colocadas no final do século XIX eram realmente repressoras da violência. A partir da década de 60 no século XX voltamos a nos liberar para soltar os impulsos violentos e voltamos a ver nosso comportamento bárbaro, agora via internet em tempo real, isto sim é novidade...

Não estou dizendo aqui que aprecio a violência. Acho-a triste, mas dizer que agora é pior do que antes é não conhecer história da humanidade; nunca fomos melhor. Somos violentos, também.Há épocas que mostramos mais e épocas que mostramos menos, mas a agressividade habita em todos nós.

Creio na evolução, acho que cada vez mais aprenderemos a sermos pacíficos, e  a dominarmos, com inteligência, este gênio e tendência a crueldade que temos. Porém acredito que para isso precisamos encarar este lado, talvez até vivenciá-lo às últimas consequências para mudarmos o rumo. Não é um bom prognóstico... Mas também não é o fim do mundo. Pelo menos de todo mundo, pode ser o fim de muitos e teremos um período doloroso para passar como humanidade, contudo é assim que a terra vem se desenvolvendo há bilhões de ano, a diferença agora é que estamos conscientes.


Namasté!